Hei!

Hei de amar-te:
com a lucidez dos cegos,
com a serenidade dos pródigos,
com a urgência dos meigos,
com a volúpia dos mártires.
Hei de amar-te:
no abandono dos sustos,
no intervalo das dores,
no revés dos sonhos.
Hei de amar-te:
apesar dos limites do corpo,
durante a suspensão dos medos,
com a delicadeza
que a dor me imprimiu.

Miriam Portela