Vânia Ortiz

"Everything may be for a while."

Publicações do autor

A Dor do Poeta!

Arranca, poeta, a dor dentro do peito, lembra-te de que, para tudo, há um jeito imbuído no lirismo ao encarar a vida. Sorve tuas palavras, prevalece teu dom: aquele que ousa ressuscitar a flor quando despetalada pelos campos. Mostra ao mundo do que és capaz. Chora tua dor em versos, registra-a no papel em branco, …

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Vagando!

Sem planos, investindo nos sonhos, apostando na sorte e na sensibilidade que excita a pele e aos devaneios impele. Vou seguindo por aí, buscando o que me abastece. Sem rumo, sem norte, sem pensar no amanhã, no mais tarde. Vou levando meu barco para o lado que me aprouver, do jeito que me convier. Destino …

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Não mais!

Não mais a inocência estampada, tatuada no rosto, no gosto, nos traços, nos passos da ingenuidade. Tenra idade, quando a verdade feito um baluarte sustentava a vida chamada Felicidade. Não mais a magia do encanto, do surpreendente rondando os cantos, do inesperado sendo realizado, da alegria em sorriso franco. Não se escrevia: via-se a poesia, …

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Sem Poesia!

Senhor, perdoa-me o despautério. Devolvo-te a inspiração. Sinto cometer um adultério, traindo a voz do coração. Meus versos perderam a alegria, caminham sisudos pela poesia. Meus lábios não dizem o que sinto, contradizem minhas palavras, meu olhar. Tento enaltecer o amor que, de tão raro, se codificou. Quero descrever o belo que perdeu o viço …

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Mundo!

Lá fora me chama o tempo e, incansável, meu nome proclama ecoando nas marolas do vento, ora brando, ora turbulento. Aqui dentro, mundo imaginário, eu me retranco. Burlo as leis do calendário, horas, dias, meses e anos e deixo o tempo ir, sem resposta, sem realizar o que mais gosta. Retiro as travas da alma, …

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Arte!

Arte Caminho o percurso de sempre. Percorro o que não condiz com minha mente. Um desassossego invade meu ser, arrasta-me para ver o que ali não existe. Sussurra-me aos ouvidos: ouça! Paro, mas a inquietude persiste. A melodia insiste em ressoar a trilha sonora que me persuade. Uma força misteriosa me invade. Rendo-me. Deixo-me levar …

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Espera!

Quando tu não vens, meus olhos se perdem no escuro. Meus pés não tocam o chão. Flutuo entre densas nuvens: te procuro em vão. Como olhar as estrelas, se elas se escondem no teu olhar? Sinto-me tão só. A lua não aparece. E, de manhã, nem sei mais onde nasce o sol. Quando não vens, …

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Fábula!

Entediante é a vida nua, concreta, vivida. E eu já não cria na existência de laços, espaços, anjos, fantasia. Sem compartimentos para armazenar alegria, passei a arrastar-me na brancura dos dias. Eis que sem entendimento, à minha revelia, fui levada a mundos tão diversamente leves onde o viver me aprazia.

Saciedade!

A saciedade mais a fome trouxe-me a fartura, e lembrou-me o jejum. Veios se abriram, sangrando. Uma sede inesgotável nasceu. Ausências me povoaram e um medo antigo ocupou-me. A saciedade me penetrou com seus vazios, encharcando-me de esperas.

Impressões!

Estou de passagem, tu sabes. Estás de passagem, eu sei. Deixa que eu grave em minhas digitais a tua travessia ou deixa que eu grave minhas digitais em tua travessia. Tanto faz!

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