Poesia!

Trago suspensa nos lábios
a palavra poesia.
Trago, na ponta dos dedos,
todos os versos por escrever.
Nos olhos, trago estrofes,
métricas, rimas e tercetos.
Tantas quadras de ilusão
que na forma nunca rimam,
mas que enquadram um sentir
vasto e profundo,
cheio de percalços no caminho,
à beira de um abismo.
Existo para sofrer em minha
própria dor.
Destruo-me e renasço
a cada instante,
para em seguida,
voltar a morrer e depois a renascer.
Sou assim em cada verso,
porque trago suspensa, nos lábios,
a palavra poesia
e na ponta dos dedos
todos os versos por escrever.